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A pesquisa mostrou que o cliente do home broker da corretora - a quarta em volume de negócios no segmento - tem em média 30 anos, é homem e tem pouco tempo para fazer análise de investimentos. Por isso, prefere usar instrumentos de análise gráfica para operar, diz Bruno Di Giorgio, responsável pelo levantamento.
Com a plataforma, o investidor poderá usar o sistema de análise gráfica e outras ferramentas, como a atualização online das planilhas de dados e cotações que usa para acompanhar o mercado ou o sistema de zeragem automática ("stop loss"), que vende as ações quando um papel cai demais.
A plataforma poderá ser programada ainda para avisar o investidor quando determinado papel atingir um preço que indica tendência de alta ou baixa e já prepara a ordem de compra ou venda. "O investidor pode escolher se quer ser avisado por um 'pop-up' pedindo a confirmação da compra ou venda ou se quer que o sistema faça a operação automaticamente", diz Puga. O objetivo é evitar que o investidor, que está ocupado com outros afazeres, perca oportunidades em meio à volatilidade dos mercados. O sistema será oferecido gratuitamente, explica Puga. "Nosso negócio não é vender software, queremos é manter o cliente por muitos anos", diz.
Apesar de usar gráficos para definir a hora de comprar ou vender no curto prazo, o investidor tem visão de longo prazo, explica Puga. "Ele vê a aplicação como uma série de curtos prazos que se juntam para formar o ganho de de longo prazo", diz.
O executivo espera um crescimento explosivo do segmento de home broker nos próximos dois anos. A BanifInvest, que possui hoje 12 mil clientes ativos, deve triplicar esse número até 2009 por conta da maior procura por diversificação provocada pela queda dos juros e pelo crescimento do mercado acionário, prevê. "Vamos ver cada vez mais as pessoas físicas entrando nesse mercado e isso deve ser feito via home broker, que permite o acesso ao pequeno e médio investidor", diz.
Puga lembra que, em 1995, ainda estagiário em uma multinacional, tentou comprar ações com o equivalente hoje a R$ 10 mil em uma corretora. "O operador deu risada", diz. "O mínimo que se precisava para aplicar via mesa numa corretora era, e ainda é hoje, mais de R$ 300 mil." Isso mudou com o home broker, onde praticamente não há mínimo. Na BanifInvest, o patrimônio médio dos investidores fica na casa dos R$ 60 mil, e tende a crescer. "Se levarmos em conta que esse público de 30 anos está atingindo cargos mais altos, a tendência é de que esse patrimônio aumente", diz.
A corretora pretende manter a tarifa de corretagem fixa, de R$ 15,99 por ordem, afirma Puga, justificando que ela facilita a vida do investidor, que não precisa ficar fazendo cálculos sobre quanto vai pagar. "Além disso, ela é vantajosa para volumes menores em relação à tabela referencial da Bovespa usada por outras corretoras, que cobra 0,5% mais R$ 25,21 por operação já a partir de R$ 3.030,00". Se o investidor aplica R$ 10 mil, paga pela tabela da Bovespa R$ 75,21 de corretagem, quase 1% de custo já na saída, calcula Puga. Para quem opera muito, a BanifInvest criou um limite onde o cliente paga só as 80 primeiras ordens do mês.
A corretora começará também a promover cursos mensais sobre as novas ferramentas e aumentou o número de atendentes da central telefônica de 10 para 24. "Esperamos uma forte procura após a Expo Money e precisamos estar preparados", afirma Puga.
A crise das hipotecas de alto risco americanas ("subprime") aumentou bastante a procura por informações e as operações do home broker, afirma Puga. Segundo ele, o número de clientes plugados diariamente, de 3,5 mil, mais que dobrou no dia 16 de agosto, auge da crise. "Agora o investidor está mais cauteloso, com maior controle de risco", diz Bruno Di Giorgio.
Matéria publicada em 26/09/2007 no caderno Eu&Investimentos do jornal Valor Econômico